sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

A minha resposta ao desafio



Agora sim, damos a volta a isto!
Agora sim, há pernas para andar!
Agora sim, eu sinto o optimismo!
Vamos em frente, ninguém nos vai parar!

-Agora não, que é hora do almoço...
-Agora não, que é hora do jantar...
-Agora não, que eu acho que não posso...
-Amanhã vou trabalhar...

Agora sim, temos a força toda!
Agora sim, há fé neste querer!
Agora sim, só vejo gente boa!
Vamos em frente e havemos de vencer!

-Agora não, que me dói a barriga...
-Agora não, dizem que vai chover...
-Agora não, que joga o Benfica...
e eu tenho mais que fazer...

Agora sim, cantamos com vontade!
Agora sim, eu sinto a união!
Agora sim, já ouço a liberdade!
Vamos em frente, e é esta a direcção!

-Agora não, que falta um impresso...
-Agora não, que o meu pai não quer...
-Agora não, que há engarrafamentos...
-Vão sem mim, que eu vou lá ter...

Movimento Perpétuo Associativo. Música Deolinda. Composição: Pedro da Silva Martins

Eu estou do lado do Sim. Claro!

O DESAFIO……………


Com tantas manifestações de Nostalgia dos tempos da Palhaça que já lá vão.
Aproveitando o espírito de Mário Crespo e do seu penúltimo artigo no JN, pois aqui vai.

Façamos de conta que todos vivemos tempos de felicidade na Palhaça.
Façamos de conta, que todos queremos (Re)viver esses momentos.
Façamos de conta, que alguns Jovens da Palhaça transformam os seus jantares anuais e fundam uma espécie de “Os naturais da Palhaça”.
Façamos de conta que o seu objectivo é apenas recordar o passado e passar a mensagem desses tempos aos que virão no futuro.
Façamos de conta, que este ano teremos mais uma “Quinzena Cultural” e que a suposta agremiação é desafiada a preparar um dia/noite.
Façamos de conta, que todos estes artigos aqui publicados poderiam ser compilados e apresentados.
Façamos de conta, que Carlos Braga até preparava uma nova Obra para esta ocasião e a apresentava ao som de MikeOldfield meticulosamente escolhido por Paulo Carvalho.
Façamos de conta, que alguém poderia subir ao púlpito e cantar o “Primavera, Primavera” que era presença habitual nos dias da Comunidade….Penso que não faltaria
Façamos de conta, que um perito informático, ou um simples curioso, criava uma apresentação com uma retrospectiva histórica (recente) da Vida da Palhaça.
Façamos de conta, que era lançado o desafio para duas ou três modas dos velhinhos “Coreto”.Será que o Russo viria a Portugal?
Façamos de conta, que os Lip Stick se juntavam de novo e conseguiam dar duas ou três para a caixa.
Façamos de conta, que o Paulo Lourenço teria gosto por organizar uma volta à Palhaça em Pasteleiras (quem não as tiver pode ir noutra qualquer).
Façamos de conta que o Sr. Gentil, que apesar de residir em Nariz traz a Palhaça no coração e na alma, monta a sua barraca do Bingo (a feijões claro).
Façamos de conta que a Catarina Pereira, organiza todos os seus Boletins de “O Coreto”, as suas Histórias e outros jornais que sejam originários nesta Freguesia.
Façamos de Conta que no largo há um pau ensebado para os Mourões ou outros subirem para apanhar o Bacalhau e a garrafa de Porto e que lá de cima se poderia avistar todo o percurso da corrida de cântaros. Iria uma vez mais o prémio para Chousa?
Façamos de conta que neste local também há regueifas para o jogo da Bicicleta e da Argola
Façamos de conta que tudo isto e muito mais ainda seria possível. Não seria uma forma de mobilizar os habitantes da nossa terra?
Quem estaria disponível para abraçar este desafio?

Sérgio Pelicano

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Reconhecendo-me na maioria das vossas lembranças, ainda me lembro…

Da ida do grupo de cantares a França e eu a ficar para trás…
Do cheiro a café em casa do Padre Manuel Oliveira em S. Romão
Das suas duas maçãs e copo de água antes da missa da manhã
Dos sermões (e não só) do meu Pai, por fugir sistematicamente durante as bodas dos casamentos De ir para o Colégio à Boleia
Das idas à Sexta-Feira à noite às bruxas
Dos copos à volta da forja do Samagaio
Do Andebol e do Saudoso Osvaldo Guedes
De ir tocar o Sino com o Ti Silvério e mais tarde com o 115 (Zé)
D o meu avô Latoeiro…
Da minha Avó das Histórias
Do Atletismo que nunca fui primeiro
Da Banda LipStick que morreu à nascença
De andar com o João a fugir do dito Tatá (Não tenho a certeza do seu nome)
Do café Leitão a ver a F1 a beber Fosters
De querer andar sempre com os mais velhos
Das minhas irmãs quererem ir ao Baile e eu servir de recurso
Do Voley no Adro
Das Marchas e da fruta
Dos bailes depois do Cortejo de Reis
Da passagem de ano da Adrep por cima da actual peixaria,
Dos vidros de carro que se partiram no adro da Igreja
Do Padre Blinquete ralhar comigo por estar a jogar a bola contra mesma
Da Loja/Taberna do Sr. Braga junto às bombas na Palhaça
Da Loja do Ti Carvalho no Areeiro
Das “falocas” de Carnaval do kiosk
Das Sessões de pancadaria nos finais de cada Baile de Sábado
Do Raio que caiu em cima do Acampamento de escuteiros,para as Bandas de Paranho de Arca (Eu não estava lá)
Do Carlos Paião me adormecer em minha casa
Das idas para o apartamento do “Rola” na Vagueira numa Toyota Dyna de cabine com nove amigos lá dentro onde só deveriam ir três
Da construção do Campo dos Escuteiros
Da aposta que fiz com a Rosa Maria em vir da Vagueira a pé em idade de primária….sendo apanhado depois junto ao Parque da Orbitur
Do primeiro Hambúrguer saboreado no Sagitário, com o Nelson, Miguel e o Mário
Da minha primeira Bicicleta com um selim enorme
De ter sido obrigado a negar o direito de voto a um eleitor por não constar dos cadernos eleitorais (As eleições estão aí, consultem previamente os Cadernos eleitorais na JF)
Das praxes que fizemos aos amigos que entravam no Ensino Superior
Das festas particulares que haviam em casa de cada um
Da Festa do Rock…
Dos torneios de Futebol no Campo onde actualmente é a feira e Futura escola
Das provas de perícia com os minis…O Capão sempre muito habilidoso
De ir com a sineta na Páscoa e desistir a meio, por ver toda gente a divertir-se e eu a apanhar seca (14/15 anos)
Da ATL que inaugurei com o Pedro Carvalho

Este texto não tem qualquer ordem cronológica. Foi escrito ao sabor das lembranças

Sérgio Pelicano (nascido em 1975)

Do que me lembro...

dos baloiços da creche e da canja da Marcelina...
das sestas obrigatórias, das camas trípticas e das mantas aos quadrados...
de ver os bonecos animados enquanto esperava pelos meus pais ao final da tarde no salão grande...
da Fátima e da Henriqueta, das pegas em croché, dos cestos de rafia, da cola branca e da casa de brincar...
do ramo onde baloiçava, naquela árvore junto à Igreja...
de ouvir um sermão do Padre Manuel por me pendurar no dito ramo...
de ir ao Leitão com os meus pais, de coleccionar as caricas do chão, de escrever e pintar...
do piano no andar de cima, dos Ministars na sala de trás, da registadora antiga e do sotão...
do António Sala a cantar o Aleluia no Largo S. Pedro...
da Festa de Agosto, do Bingo e da Quermesse, dos jogos tradicionais, dos Roconorte...
do cheiro dos verdes espalhados pelo chão à espera da procissão, da banda do Troviscal...
dos livros pretos, azuis e castanhos do coro, do piano da Igreja...
do Pajov e da catequese...
da Viappia e das Belas Artes...
de correr por entre os feirantes no Largo das Escolas no final das aulas, do 2 cavalos da Dona Ana...
de jogar Andebol na Adrep e de ir matar a sede à fonte do Bebe-e-vai-te...
das marchas e das discussões na escola, dos ensaios das marchas com o Sr. Julião, da preparação dos arcos e das roupas...
das aulas de solfejo ao sábado de manhã com o Dr. Fernando, do professor Fardilha, das festas de Natal, de tocar flauta na visita do Cavaco Silva...
dos ensaios do rancho ao sábado à noite, das actuações, dos amigos, da excitação de dançar o mais rápido possível, da K7 a tocar na sala...
da bicicleta preta da minha avó, dos cabanais, do tetris do Nuno, da carreta...
do cheiro dos correios velhos...
do início da sessão da RTP2 às 3 da tarde, do Agora Escolha, da Ana dos Cabelos Ruivos, do Justiceiro e do Macgyver, do 1,2,3...
dos bailes ao sábado à noite, do barulho e da animação, de chorar por não poder ir...
do Festival da Canção, da Cândida Branca Flor e do Carlos Paião, das músicas da Susana e da Vitória...
do frango de churrasco religioso ao almoço de domingo...

Andreia Tavares (nascida em 1979)

Do que me lembro...

Da professora Ana e do seu 2 cavalos a chegar ao largo das escolas, enquanto a Maria José nos empurrava para dentro da sala,
Dechegar à Palhaça, ao cair da noite, encolhida no único canto feito à medida da minha pessoa, numa Toyota amarela fatigada de tão carregada da viagem que nos trouxe definitivamente de Aljezur,
De sair da Palhaça numa madrugada límpida, de malas aviadas para Turim, e do soslaio para o Santo da Praça me ter dado um aceno, eu juro que o vi nessa manhã!
De ser dia de feira e uma série de feirantes utilizarem a retrete de casa da minha avó para aliviarem vontades,
De passar domingos sentada no parapeito da entrada da casa dos meus avós na praça de S. Pedro,
Dos cafés de domingo no Leitão, com mesa para 10 ou mais, do burburinho, dos planos para a tarde, das prendas surpresa de aniversário, dos segredos que todos ouviam e quase todos fingiam não saber,
Das procissões da festas, e de ano após ano, adiar a vontade de me vestir de anjo,
De um ataque de riso tão grande que me deu empoleirada num camião TIR a assistir, com o Salvador ao colo, a uma tourada recente, num dos festejos do padroeiro,
De ir com a minha avó Maria a casa do irmão dela, o Tatá, e de passar a boa meia hora a tremer dos pés á cabeça com medo da sua bengala, ou lá o que era aquilo. Muitos domingos tinham como ritual uma visita de bicicleta a casa dele para tornar o espaço menos sujo e de lhe levar algum agasalho
Das festas de verão e da minha avó a controlar-me na janela do 1º andar. De me encher de perguntas e de me explicar sempre, cuidadosamente, onde me deixava a chave. Como se naquela praça houvessem ladrões de casas velhas onde os bens eram fotos antigas, guardadas em caixas e uma televisão a preto e branco.
Dos passeios de bicicleta com as amigas, sem destino e com as sandes na mochila a tiracolo.
Das idas para a missa e dos regressos da catequese, sempre com ávidas discussões sobre todas as dúvidas existenciais que aos 15 anos vem com as borbulhas.
Do par de dias da Páscoa, um desfilar de modas e encontros que terminava quase sempre nos carrinhos de choque da feira de Março.
Dos Chupas da Ti Quitas e dos tremoços do Ti Remolo. De ser peixeira emprestada ao Cortejo dos Reis.
Da primeira edição do Boletim O CORETO e do prazer que foi andar de bicicleta, um sábado inteiro, a percorrer todas as ruas da freguesia falando com as pessoas.
Dos luares frequentes observados no Benavente, onde o céu é maior e as estrelas brilham sem obstáculos lá no alto da escuridão.
Lembro-me da primeira vez que se riram de mim a bandeiras despregadas na redacção da SIC, em Lisboa, quando alguém pergunta "Onde é que esteve o Paulo Portas ontem?" e alguém responde do outro lado "Na Palhaça.", perante o gozo da pergunta que se seguiu – "Mas quem é que é da Palhaça?". Levantei-me com o meu 1,53 e com toda a convicção do momento ousei quase gritar "SOU EU, E DAÍ?"
Dos ensaios das primeiras marchas da Palhaça. Da emoção de começar a avistar as parceiras de programa no encontro na Praça.
Das magnólias nos jardins, das salas que nunca vêem a luz do dia excepto na Páscoa, de janelas que nunca se abrem viradas à estrada, da fonte de S. Domingos sem cimento, da igreja de Vila Nova a cheirar a mofo.
Lembro-me de escorrer um rio de água pelas entranhas, de olhar para o coreto antes de voar direcção a Coimbra, e de ter enviado o recado mental ao meu Santo predilecto: "quando regressar trago um Salvador para te inventar nomes e prestar continência. Que ele possa ser feliz nas tuas redondezas."

Catarina Pereira (nascida 1979)

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Amarcord/ Lembro-me...

do som da flauta do amolador que, muito raramente, passava ali no Areeiro,
do aviso sonoro da ronda pela aldeia da carrinha da Family Frost, ao domingo,
das piadas sobre o nome dos habitantes da Palhaça, chegado a Coimbra,
de bater à porta da vizinha, com o T., no regresso da escola primária, para fugir em seguida,
do escondido salão de jogos do Caribe e do Escondidinho,
da aldeia da Palhaça,
do prazer que tinha em circular, descalço, pelos regos (onde corria água), ladeados de um labirinto de milho alto, ou de fazer carreiros, também descalço, sobre o milho, a secar na eira,
(vagamente) de um concerto da Cândida Branca Flor na Palhaça,
da desilusão, aos 6 anos, do «aborto» precoce e inusitado do grupo infantil do Rancho,
dos mistérios da Casa das Silvas e de um enigma «twin-peakeano» chamado Estrada Larga,
da vigília nocturna pré-pascal e das maratonas pascais,
do medo que tinha do comandante de trânsito «Tatá», mais conhecido por D. Manuel I (dizia ele que era rei),
do calvário ou das evasões que eram as longas e desidratantes procissões, acompanhadas, pelo menos, de boa música de Filarmónica,
da obsessão teen pelos Nirvana (não posso deixar de a associar à Palhaça, a minha Aberdeen, na altura),
das andas que o mecânico vizinho José fez para eu, pequeno, andar mais alto,
do odor a mijo das latrinas da escola primária,
do canto das Janeiras no gélido Dezembro,
das reuniões anárquicas dos Escuteiros e das aventuras radicais e de (des)orientação nos acampamentos,
do susto que apanhei, criança, ao encontrar uma tombada e ébria Sofia, no bréu,
do inofensivo e simpático Zé Pequeno,
das bombas de Carnaval estoiradas nas aulas de catequese,
do meu colega de casa Pompeu,
de não poder votar nas «minhas» primeiras eleições, aos 18 anos, por não constar da lista de eleitores,
do prazer de ouvir bradar connosco a senhora da casa pré-fabricada por detrás do recreio da escola, por roubarmos umas nésperas,
da apanha das batatas, por categorias (podres, ratadas, miúdas e graúdas), e das vindimas,
de cantar «A Gaivota» nas celebrações escolares do 25 de Abril,
da ansiedade na espera do autocarro da AVIC, para ir a Aveiro,
de não ser tão nostálgico como neste preciso instante...


(nascido em 1983)

Do que também me lembro…















do pau de sebo nas festas do padroeiro
das corridas de cântaros nas mesmas festas
do ano em que Marco Paulo foi corrido à tomatada
do Tatá e do Fôdio, do Bento e do Fosquinhas
(estes últimos vindos das Quintãs, se não estou em erro)
do Ti Remolgo dos tremoços e do louco da comunhão
da estridente corneta metálica anunciando a sardinha e o chicharro
(chicharro a que chamávamos curiosamente «charro»),
de acorrer antes da mãe à mota do vendedor que vinha da Costa Nova
com as caixas do peixe atreladas na traseira
de levar a irmã mais nova à creche de bicicleta
de andar de bicicleta pelos campos com os amigos
de chamar «bicla» à bicicleta
de um roubo nocturno a uma certa vinha
das laranjas suspensas das árvores, brilhando
de tomar banho no Souto do Rio,
das pedras redondas do leito do rio
e das árvores frondosas das suas margens
de ir a pé para a escola
dos veios do soalho da sala de aulas e das carteiras verdes
das lutas com globos de plátano no largo da escola
dos longos Invernos e das enormes férias grandes
de gostar de apanhar chuva na cara enquanto vinha da escola
das aulas de solfejo no antigo edifício da Junta de Freguesia
das aulas de guitarra com o professor Mário Fontes no coreto
de cantar as músicas do grupo pop-rock O Coreto:
«Poluição, não, não, não» e «No meio do mar»
(esta, uma versão de um tema dos Status Quo)
da missa campal no cemitério em Dia de Todos os Santos
da solenidade proveniente do silêncio lacrimoso, das velas crepitando
e do céu de Novembro carregado de cinza
da visita nocturna às campas iluminadas
do tépido e envolvente odor a cera derretida e aos pavios afogados nela
das ruas pejadas de bosta
da estrumeira da casa do vizinho
do cheiro a urina que emanava de algumas camas,
quando acompanhava os meus pais na comunhão aos doentes
das retretes de madeira de alguns quintais,
da sua tampa redonda de madeira encaixada
e do odor único da merda nessas circunstâncias
dos cortejos de angariação de fundos para o Centro de Saúde
da vez em que a RTP veio à Palhaça cobrir um evento do género
(não me lembro de muito, mas sei que tinha um barrete de campino
por pertencer a um rancho folclórico improvisado, o do Areeiro)


















Paulo Carvalho (nascido em 1970)

Do que me lembro …

das oliveiras na minha rua
do Café Leitão
da escola velha do Albergue
de beber água na Fonte da Palhaça (agora fonte do Areeiro)
do Café Drinks
dos torneios de sueca na ADREP
da rua principal da Palhaça em paralelos
das partidas e chegadas das provas de ciclismo
da minha rua em saibro
do Marco Paulo no Largo S. Pedro
do grupo musical Coreto
do Largo das Escolas em saibro
das garraiadas no largo da feira do gado
de embrulhar rifas para as quermesses
da casa das lãs na casa do Sr. Samagaio
de tocar o sino na torre
de jogar à bola no adro
do Pompeu e da Sofia
do Padre Manuel de Oliveira
do rancho infantil da Casa do Povo
da gravação da K7 do Grupo de Cantares Populares
das idas ao Santoinho
da períci automóvel no campo de futebol
do campo de futebol 5 das pinhas
da vinda do Primeiro-Ministro Cavaco Silva
da cabine de telefone em frente às bombas
das vacas na rua a caminho da ordenha
do largo S. Pedro cheio de carros do baile

Austrália

O koala Sam foi um dos únicos bichos a sobreviver aos terríveis incêndios na Austrália. A fotografia faz parte da série desta semana do Telegraph.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Escola da Vida


Escola da vida: Os alunos (Vídeo I) from Expresso on Vimeo.

No Expresso on-line surgiu esta reportagem "Escola da Vida: os alunos". Dá-nos uma outra perspectiva sobre o país que envelhece. O Carlos Braga, de uma forma brilhante, já escreveu aqui, sobre os idosos. Fica o bom exemplo do Concelho da Batalha.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Cartão de Cidadão

800 mil portugueses já aderiram ao novo documento de identificação

«Dois anos depois de ter sido lançado, o Cartão de Cidadão já foi solicitado por mais de 800 mil pessoas em todo o país, registando maior procura nos Açores, Porto e Lisboa.

O Cartão de Cidadão começou a ser emitido a 14 de Fevereiro de 2007 na ilha do Faial, Açores, numa cerimónia que contou com a presença do primeiro-ministro, José Sócrates, tendo sido progressivamente alargado às restantes ilhas do arquipélago.

No Continente, a emissão começou em Julho no concelho de Castelo de Vide, distrito de Portalegre, seguindo-se Mourão, no distrito de Évora, e Vila Flor, no distrito de Bragança.
Segundo dados da Agência para a Modernização Administrativa (AMA) fornecidos à Agência Lusa, até ao dia 1 de Fevereiro foram solicitados 885.556 Cartões de Cidadão, dos quais foram emitidos 741.750.

Quanto à procura do Cartão de Cidadão nos diferentes distritos do Continente e nas Regiões Autónomas, em valores absolutos destacam-se a Região Autónoma dos Açores (64.832) e os Distritos do Porto (63.125) e de Lisboa (53.750).

Já no que se refere à percentagem da população residente, os dados da AMA destacam a Região Autónoma dos Açores com 26,8 por cento da população com o Cartão de Cidadão e os Distritos de Portalegre (13,7 por cento), Bragança (13,0 por cento), Vila Real (11,7 por cento), Évora (11,5 por cento) e Beja (10,7 por cento).


[Pormenores sobre o Cartão de Cidadão]

O Cartão de Cidadão integra-se na estratégia de modernização e simplificação administrativa e enquadra-se na política comunitária de identificação electrónica e de protecção de dados pessoais.

Com um formato semelhante ao dos cartões de crédito e Multibanco, o novo documento de identificação inclui na frente a fotografia, assinatura, sexo, altura, data de nascimento e nacionalidade do titular.

No verso consta a filiação, os vários números de identificação e uma zona de leitura óptica, que permitirá o seu uso como documento de viagem no espaço Schengen.
O cartão é dotado ainda de um chip com dois certificados digitais que permitem a autenticação electrónica segura do cidadão e a assinatura digital qualificada sobre documentos electrónicos».



Fonte: Lusa / SOL



O que é e para que serve o Cartão de Cidadão?

O Cartão de Cidadão é um documento físico e electrónico, fácil de usar, que permite a identificação dos cidadãos através de diversos canais de comunicação (presenciais ou não presenciais – como por telefone por exemplo) com a Administração Pública e Entidades Privadas. Suportando assim interacções presenciais físicas e electrónicas, assim como interacções não presenciais, garantindo, equivalência ao nível da segurança e de valor legal com os meios tradicionais de identificação presencial. O cartão destina-se a facilitar a vida aos cidadãos quando se dirigem aos serviços públicos, presencialmente, pelo telefone ou pela Internet.

O Cartão de Cidadão apresenta-se como um verdadeiro certificado de cidadania, assumindo a forma dupla de um documento físico que identifica visual e presencialmente o cidadão (tal como o Bilhete de Identidade), e um documento digital que permite ao cidadão identificar-se e autenticar-se electronicamente nos actos em que intervenha perante entidades públicas e privadas (através de um PIN pessoal).

Tecnologicamente, o Cartão de Cidadão encontra-se alinhado com os standards internacionais relevantes, em especial ao nível do espaço da União Europeia. Assume a forma de um smartcard, um cartão com microchip incorporado com capacidades de armazenamento de informação e de processamento criptográfico, que assegura os mais elevados padrões de segurança na protecção da confidencialidade e integridade da informação pessoal do cidadão, no respeito pela legislação nacional e as normas europeias correspondentes.


Fonte: http://www.cartaodecidadao.pt/

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

World Press Photo - Mais uma foto de guerra?

O World Press Photo é considerado um dos mais importantes prémios de reconhecimento do trabalho dos repórteres fotográficos em todo o mundo.
O americano Anthony Suau é o vencedor do Prémio World Press Photo 2008, por uma fotografia que ilustra a crise do subprime nos Estados Unidos, regista um polícia a revistar uma casa abandonada no Ohio, nos EUA. Este trabalho foi publicado na revista Time. Estas fotografias dizem mais do que aquilo que mostram.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Cáritas: A perspectiva de Eugénio Fonseca sobre a crise (& Práticas de Combate)


Uma entrevista interessante, não facciosa e realista, a uma pessoa empenhada socialmente e inteirada das fragilidades do país real, com a mais valia de ter a experiência no campo:


Entrevista PÚBLICO/Rádio Renascença/RTP2

“Falta vontade política para erradicar a pobreza”, lamenta presidente da Cáritas Portugal
06.02.2009 - 20h33 Bárbara Wong (PÚBLICO) e Raquel Abecasis (Rádio Renascença)
Eugénio Fonseca é presidente da Cáritas Portugal e membro da direcção da Confederação Nacional de Instituições de Solidariedade (CNIS) diz que quem antes dava donativos está agora a pedir ajuda. São os novos pobres, as pessoas que viviam do seu trabalho e, de repente foram despedidas. O responsável acredita que haverá empresas que se estão a aproveitar da crise, mas espera que a sua responsabilidade social seja a de não fechar as portas e manter os postos de trabalho. Para já, são as instituições de solidariedade social que estão a apoiar as famílias, informa. “Mas a crise não se resolve só com essas medidas”, o Estado tem de intervir mais, nomeadamente no acompanhamento das pessoas que pedem o subsídio de desemprego, defende.

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Idosos: Vozes (cada vez mais) anoitecidas

“Idosos descartáveis” – assim titulou Armor Pires Mota a sua oportuna crónica no Jornal da Bairrada do passado dia 4 de Fevereiro. O mesmo título, embora na interrogativa, colou o escritor Arsénio Mota, da vizinha vila de Bustos, a um post do seu blog em Junho de 2008. Aproveito a embalagem para escrever também sobre um tema que merece séria reflexão.

Lamentavelmente, o abandono dos idosos, a negligência e até os maus tratos a que tantas vezes são sujeitos, devem merecer a nossa melhor atenção e também o nosso mais veemente repúdio.
Para mistificar a realidade, a chamada sociedade pós-moderna transforma, em passes de mágica falaciosa, os idosos em “seniores”, como se a velhice fosse coisa sem sentido, não arrastasse consigo algumas moléstias, como a dependência, o desamparo e a solidão, não prenunciasse o aproximar da morte, ou não suprimisse progressivamente os prazeres que a vida realmente vivida proporciona.

Os eufemismos funcionam, na sociedade actual, como escudo protector e como arte de dissimulação. Exemplos? Tudo se faz para suavizar a nossos olhos a velhice dos outros. Os velhos, além de “seniores”, encerram um paradoxo: a sociedade que exibe a longevidade como valor supremo é a mesma que os trata como um fardo e um problema. Estamos cercados de idosos mas quase não os vemos. Encaixotados em lares de gosto duvidoso, duram tempo demais e dão cabo do erário público. Deixou de fazer sentido a ideia segundo a qual por cada velho que morre é uma biblioteca que desaparece.

Este artifício retórico dos “seniores” podia ser evitado. Bastava que os que a ele recorrem tivessem a percepção do valor e dos benefícios da idade avançada que outras sociedades – países africanos e asiáticos, por exemplo – lhes reconhecem. Se nessas sociedades os velhos são descritos como “aqueles que ganharam sabedoria”, na cultura ocidental esses valores encontram-se em erosão acelerada. O envelhecimento é visto como uma “perturbação” e não como uma oportunidade de utilizar recursos adquiridos ao longo da vida; os idosos representam um fardo, esquecendo-se o apoio que muitas vezes alguns deles ainda podem prestar à família e mesmo à comunidade.

Não é só a sociedade que está em crise. É também a solidariedade, e os valores morais. E por isso falham cada vez mais as respostas do Estado e o modelo tradicional de obrigações filiais. Todos os anos, pelo Natal, assistimos ao espectáculo indecoroso de gente que interna os seus pais ou avós nos hospitais e os deixa por lá, sem a menor ponta de remorso ou o menor estremecimento de desconforto. Entretanto, os idosos têm “alta”, o hospital contacta, mas as famílias não aparecem. Despachado o fardo incómodo, demandam outras paragens onde vão passar o Natal e o Ano Novo, libertos de preocupações, mas atolados no egoísmo e na desumanidade, agindo como se os seus familiares fossem seres desprovidos de direitos.

Estamos a falar de crimes sem castigo. Quem faz isto, ou coloca os seus idosos em lares clandestinos de vão de escada, devia ser acusado de crime de abandono. A indiferença pelos direitos do nosso semelhante é uma forma de cumplicidade no atentado a esses mesmos direitos.

Enquanto as coisas continuarem como estão, estes actos ignóbeis tendem a transformar-se em rotina no quotidiano. A pressa, a ligeireza e o desinteresse (que é desconsideração) pelos outros, são a imagem de marca do nosso tempo. Na sociedade em que o ter se substituiu ao ser, em que cada um já não vale pelo que é mas por aquilo que ostenta, ou pela imagem muitas vezes falsa que retoca e de si dá aos outros, quem assim nos fala não é o ser humano dotado de afectos. É o homem-máquina, um corpo sem alma, um rolo compressor que tudo cilindra à sua passagem.

Dizia Cícero – orador romano que nasceu e viveu antes de Cristo – que a velhice todos a buscam alcançar, mas quando a alcançam, deploram-na. Para ser possível suportar mais facilmente o envelhecimento só parece existir um caminho: devolver a vez e a voz aos idosos.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Around the world

Por falar em emigrantes.Vale a pena passar pelo blog do Dennis que saiu da Palhaça há mais de 20 anos porque o destino quis que fosse para a Austrália. Começou por viver em Sidney, depois passou por vários países na Europa, rumou até à América Latina num voluntariado, e agora está para os lados do Canadá. A última passagem pela Palhaça foi no verão de 2006. O Dennis é um homem do mundo. É daquelas pessoas que faz falta em qualquer sítio. Digo isto porque o conheço bem e porque adoro a maneira como ele vê o mundo. Vale a pena espreitar a sua arte, seja fotográfica, pintura ou desenho aqui.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Visão Global: Emigrantes e Imigrantes



No dia em que foi divulgado na comunicação social o veto de Cavaco Silva ao fim do voto por correspondência dos emigrantes, convida-se, «a pedido de várias famílias», directamente, os emigrantes (actualmente espalhados por países como França, Inglaterra, Holanda, América Latina, EUA, etc.) e os imigrantes a viverem/que viveram na Palhaça (da Rússia, Ucrânia, China e países africanos, entre outros) a colaborarem e a partilharem, neste blog, fotografias, vídeos, notícias, opiniões, «estórias», memórias, etc... encurtando distâncias.

Apela-se, ainda, a quem tiver contactos de emigrantes e imigrantes que julgue ainda desconhecerem o paradeiro deste «canto», que envie (os que puder) para o mail palhacacivica@gmail.com.

Cumprimentos palhacenses.
Dois atletas da ADREP - Soraia Ruas e Jorge Batista, conseguiram duas medalhas de prata no Campeonato Nacional de Juniores de Pista Coberta. A Soraia Ruas, que vive em Àguas Boas, além do feito de conseguir uma medalha, num escalão superior, conseguiu os mínimos, por uma margem folgada para o Campeonato do Mundo de Juvenis, na Sérvia em Julho. Desejamos boa sorte à Soraia na viagem até à Sérvia. Podemos acompanhar o Atletismo da ADREP aqui e aqui.

Nota: 1) Fotografia da prova de atletismo, outubro de 1976, que deu origem à ADREP.

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Figuras da nossa terra: o António “Camilo”

Descobri este vídeo no blog Notícias de Bustos. A primeira parte mostra um imitador de figuras conhecidas da opinião pública. A seguir aparece aquilo que realmente interessa: o nosso conterrâneo António da Silva Jacinto, popularizado como o “Camilo”.



E porquê Bustos a trazer para a ribalta o Camilo? Porque a vila vizinha se preocupa em não deixar apagar os registos antigos, e sabe prestar homenagem, mesmo que singela, àqueles que de algum modo ajudaram a dignificar o nome da sua terra. Expliquemo-nos: ao contrário da Palhaça, Bustos é berço de tradições futebolísticas. Antes da União Desportiva de Bustos chegou a ter dois grupos desportivos: Os Canecas e Os Gavetas. Estes últimos evoluíam no espaço onde hoje se desenrola a actual feira do Sobreiro.

Na Palhaça, o pontapé na bola nunca assentou arraiais. Em 1958 tentou criar-se um grupo de futebol e por isso se iniciaram trabalhos de terraplanagem para um campo de jogos. Coisa modestíssima, pois o espaço, na zona onde actualmente se situa a ADREP, era mais quadrado que outra coisa. Foi até criada uma comissão provisória para dirigir os destinos da colectividade, da qual faziam parte, entre outros, o professor primário Henrique Pinto Basto Esteves (que residia em Águas Boas), Mário Marques da Silva (com a profissão de latoeiro e ex-Presidente de Junta) e Anísio Correia da Silva (com a profissão de sapateiro e durante muitos anos o correspondente na Palhaça do Jornal da Bairrada) (1).

É desses idos de 1958 e seguintes que guardo gratas lembranças do homem que procurava manter invioláveis as redes da Palhaça e que os de Bustos conheciam por “Keeper Gato”, popularizado pela sua elegância na baliza, os seus voos e elasticidade. Esse homem era o Camilo. Admirava-o como a um herói, e nele depositava fundadas esperanças de garantir as vitória para a equipa da Palhaça. Mais nele do que em qualquer outro, embora no grupo despontassem alguns talentos como o Alcides, ou o Zé Magalhães, prematuramente falecido.

Coloquei-me muitas vezes atrás da sua baliza, para melhor o admirar. E ainda me lembro bem: nos momentos de aflição, quando um adversário aparecia isolado à sua frente, com a bola dominada, o Keeper Gato, prenunciando o pior, gritava a plenos pulmões: atenção Nuno, há perigo! (referia-se a Nuno Brás, popular comentador desportivo radiofónico, que costumava utilizar essa expressão).

Às vezes a bola acabava por beijar as redes e anichar-se no fundo da baliza. Enquanto ele a retirava para lá da linha fatal, cabisbaixo e desolado, eu via o meu herói lendário tornar-se mais frágil, de carne e osso como todos os humanos. Mas logo a seguir voltava a fazer defesas de espantar e eu recolocava-o novamente no pedestal a que tinha direito.

A valia futebolística do Camilo despertou bem cedo a cobiça dos de Bustos. Contrataram-no (desconhecem-se os montantes envolvidos no negócio...) e começou por alinhar nos júniores, mas creio que também nos seniores, nos anos sessenta do século passado. A sua passagem deixou marcas, o seu talento fechava as redes do Bustos a sete chaves, por isso agora o evocam. Mas o Camilo tinha outros talentos, como o de praticar alguns truques de ilusionismo. Até que, já em fase mais avançada da vida, se tornou exímio na arte de driblar e atrair as câmaras de televisão...

A propósito do vídeo, onde o vemos com manifesto deleite a mandar uns “bitaites” sobre a política, Óscar Santos exarou o seguinte e certeiro comentário: “ O Keeper Gato é uma figura impagável e incontornável no nosso concelho: onde sabe que aparece a TV ou os jornais, lá está ele para a fotografia; e não é só nos congressos partidários que ele se gruda aos repórteres. Não há figura política nacional, incluindo Presidentes da República, ao lado da qual ele não apareça no retrato. Parece que ele tem uma grande colecção de fotos e de recortes dos jornais, onde aparece ao lado dos famosos, sobretudo do mundo da política”.

O Camilo tem de facto fotografias e recortes de imprensa onde aparece ao lado de gente famosa. E até tem este vídeo, que gravei e lhe ofereci com muito prazer, coisa pouca para retribuir as façanhas do herói das balizas que alimentou o meu imaginário infantil. Recordo agora uma foto que me mostrou, onde o podemos ver mergulhado num dos mais belos caudais da história recente da democracia portuguesa: uma gigantesca manifestação de um 1.º de Maio em Lisboa, logo a seguir ao 25 de Abril, festa genuinamente popular ainda não marcada pela divisão do movimento sindical. Lá aparece o Camilo, no meio daquela imensa mole humana, a exibir com garbo um cartaz onde pode ler-se: Palhaça Presente!

Também se empenhou bastante em angariar fundos para a sua terra, metendo os pés a caminho e sabendo insinuar-se nos corredores e gabinetes do poder. Já perdi a conta aos relatos que me fez de uma incursão à Gulbenkian, tentando arranjar dinheiro e material didáctico para a então Telescola, que chegou por essa altura a funcionar nas instalações do Centro Paroquial. Por detrás daquele seu ar rústico e aldeão, de falinhas mansas envoltas em enternecedora simplicidade (que tanto agrada aos poderosos enquanto gesto servil de curvatura à sua “superioridade” imaculada...) estava um verdadeiro predador, capaz de tudo para ter êxito na espinhosa missão de garantir um subsídio que pudesse dar um empurrão aos melhoramentos da Palhaça. Mostrou-se tão hábil e astuto nessas tarefas como antes mantinha invioláveis as redes das balizas que lhe eram confiadas.

O Camilo é ainda hoje um conversador nato. Falem-lhe nestas coisas e vão ver como a conversa flui sem se dar conta do passar do tempo. Que o diga um amigo meu, homem dado ao cultivo das letras e antigo professor na Universidade de Coimbra. Quando o encontrava no café, a conversa esticava e lá se ia a hora do almoço ou do jantar. Chegava a casa a desoras, e para aplacar o desagrado da mulher defendia-se do seguinte modo: o que é que queres? Sabes que sou um especialista em Camilo...

A mim, que não sou grande espingarda na arte da demagogia política, e que também pouco venero o poder ilusório das câmaras dessa ladra do tempo que é a televisão, pouco se me dá que o Camilo ande agora a fazer concorrência ao celebrado emplastro do Futebol Clube do Porto. Ou que tenha enveredado pela mania de enfileirar ao lado dos que se julgam – pobres deles! – poderosos deste mundo. Continuo a guardar no coração um cantinho onde caberá sempre o Keeper Gato da minha meninice. Os seus voos entre os postes são eternos, porque não são deste reino.

Atenção Nuno, há perigo!...

(1) Jornal da Bairrada, n.º 188, 05.07.1958.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Mutilação genital feminina em inquérito guiniense!

A Assembleia Nacional Popular (ANP) da República da Giné-Bissau está a promover um inquérito sobre a mutilação genital feminina, também chamada excisão feminina! Não fiques indiferente. Clica na ligação e vota. Se bem que votar, neste caso... Para que constasse, tive necessidade de acrescentar o seguinte comentário: «Votei contra, porque a excisão feminina me repugna, embora o meu voto não tenha raízes apenas numa sensibilidade pessoal, mas em critérios transubjectivos - universais. Estou, assim, paradoxalmente, também contra esta votação. Ela pressupõe que a existência da prática da excisão feminina possa depender da vontade de uma maioria. Ora, esta prática não é referendável, uma vez que o que está em causa é a dignidade humana, a integridade física e psicológica da mulher. O meu voto contra a excisão é a favor do reconhecimento de que o mesmo é um crime contra a humanidade e não a participação numa votação relativista que abre campo a arbitrariedades.»

Paulo Carvalho

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Desafio: «A Minha Feira»

(«Feira da Palhaça» em fotografia, arq. Museu S. Pedro da Palhaça)


As origens remotas da Feira da Palhaça





O desafio

A Feira da Ladra, em Lisboa.
A Feira de São Mateus, em Viseu.
As Feiras Populares (e os poços da morte).
As Feiras Medievais (a inglesa Scarborough Fair, p.e.).
As feiras sem regras.
As feiras de artesanato.
As feiras profissionais.
As feiras amadoras.
As feiras de Comércio Justo.
A Feira de Bustos.
A Feira da Palhaça.

Eis uma minúscula lista de feiras que estimularam e inspiraram conversas corriqueiras do presente e do passado, evocações, a História, A Etnografia, as Artes, o cidadão, o consumidor, o comerciante, os fabricantes.


Hoje, dia de «número redondo» para os palhacenses - 29 - lança-se um desafio, uma provocação, aos palhacenses e/ou a todos os leitores deste blog: sugere-se a partilha aqui, hoje ou qualquer dia, de um olhar ou vários sobre a Feira da Palhaça - um vídeo, uma música, uma poesia, uma crónica, uma fotografia, uma legenda, uma montagem, etc.


Avanço com uma tentativa de apelo aos sentidos:

Um miúdo, traquina, um «pateta feliz», atravessa , a correr, a feira da Palhaça, do hoje e do ontem, de uma ponta à outra, e grita: «A imaginação ao poder!», slogan roubado às inspiradas palavras de ordem do Maio de 1968. A mensagem é para todos os que passam ou passaram por uma feira que os afecta/ou, positiva e/ou negativamente, de algum modo.

A feira da criatividade e/ou da memória ou do registo é vossa: plural, gratuita e de livre acesso.
Ponham-se à vontade: montem a vossa tenda, a vossa banca, se o desejarem. Para o fazerem, só têm que picar o ponto no portal do Gmail: [palhacacivica (utilizador)/ viladapalhaca (palavra-passe).