segunda-feira, 29 de março de 2010

Há sempre alguém que diz não...

A pedofilia na Igreja Católica

por ANSELMO BORGES (padre, teólogo e prof. de Filosofia) 27 Março 2010

Na semana passada, fui abordado por vários jornalistas sobre a calamidade dos padres pedófilos. Que achava? A resposta saía espontânea: "Uma vergonha." Aliás, no sábado, apareceu, finalmente, a Carta do Papa, na qual manifestava isso mesmo: "vergonha", "remorso", partilha no "pavor e sensação de traição".

O pior, no meio deste imenso escândalo, foi a muralha de silêncio, erguida por quem tinha a obrigação primeira de defender as vítimas. Afinal, apenas deslocavam os abusadores, que, noutros lugares, continuavam a tragédia.

Há na Igreja uma pecha: o importante é que se não saiba, para evitar o escândalo. Ela tem, aliás, raízes estruturais: o sistema eclesiástico, clerical e hierárquico, acabou por criar a imagem de que os hierarcas teriam maior proximidade de Deus e do sagrado, de tal modo que ficavam acima de toda a suspeita. Mas, deste modo, aconteceu o pior: esqueceu-se as vítimas - no caso, crianças e adolescentes, remetidos para o silêncio e sem defesa.

Neste sentido, o Papa dirige-se criticamente aos bispos: "Foram cometidos sérios erros no tratamento das acusações", que minaram "seriamente a vossa credibilidade e eficiência". Por isso, "só uma acção decidida levada em frente com honestidade e transparência poderá restabelecer o respeito em relação à Igreja". Mas, aqui, há quem pergunte se não foram ignoradas as responsabilidades do Vaticano nestes erros e silêncios.

É sabido que infelizmente a Igreja Católica não tem o monopólio da pedofilia, que passa por muitas outras instituições: religiosas, civis e militares - há dados que mostram que a maior parte dos casos acontece nos ambientes familiares -, e é decisivo que todos assumam as suas responsabilidades, pois não é bom bater a culpa própria no peito dos outros. Mas é natural que o que se passou no seio da Igreja seja mais chocante, já que se confiava mais nela.

Até há pouco tempo, a Igreja pensou que era a guardiã da moral e queria impor os seus preceitos a todos, servindo-se inclusivamente do braço secular, ao mesmo tempo que se julgava imune à crítica. Recentemente, a opinião pública começou a pronunciar-se também sobre o que se passa na Igreja, pois todos têm o direito de debater o que pertence à humanidade comum. Há quem diga que, no caso, se trata de revanchismo. A Igreja tem dificuldade em lidar com a nova situação, mas, de qualquer modo, tendo sido tão moralista no domínio sexual, tem agora de confrontar-se com este tsunami, que exige uma verdadeira conversão e até refundação, no sentido de voltar ao fundamento, que é o Evangelho.

As vítimas precisam de apoio e de reparação, na medida do possível. Esse apoio não pode ser só financeiro. Note-se que já se gastaram em indemnizações milhares de milhões de euros, sendo certo que os fiéis não pensariam que todo esse dinheiro havia de ter, infelizmente, este destino. Assim, até por isso, a Igreja precisa de reparar os males feitos e de uma nova atenção para que esta situação desgraçada nunca mais se repita, o que implica, por exemplo, uma atenção renovada no recrutamento de novos padres.

Os abusadores precisam igualmente de apoio, também psicológico, e de compreensão. Deve, no entanto, vedar-se-lhes o exercício do ministério e, uma vez que se está ao mesmo tempo em presença de um pecado e de um crime, deverão pedir perdão, reconciliar-se com Deus e colaborar com a Justiça dos Estados.

Não se pode estabelecer uma relação inequívoca de causalidade entre celibato e pedofilia, até porque há também muitos casados, até pais, que abusam sexualmente de menores. Mas também não se poderá desvincular totalmente celibato obrigatório e pedofilia, sobretudo quando, para chegar a padre, se foi educado desde criança ou adolescente num internato, aumentando o risco de uma sexualidade imatura.

Em todo o caso, será necessário pensar na rápida revogação da lei do celibato. Aliás, a Igreja não pode impor como lei o que Jesus entregou à liberdade. Enquanto se mantiver o celibato como lei, a Igreja continuará debaixo do fogo da suspeita.



in DN

sábado, 27 de março de 2010

PALHAÇA TODOS AO PALCO | MARÇO DE MEMÓRIAS

Em substituição da tradicional Quinzena Cultural, que acontecia em Junho na freguesia, a Junta de Freguesia da Palhaça decidiu revitalizar o evento e lançar um novo conceito para a promoção da Cultura na Freguesia da Palhaça.
PALHAÇA TODOS AO PALCO, é o nome da iniciativa que reúne grande parte do que já acontecia concentrado na quinzena, mas procurando dar uma nova abordagem, estendendo os acontecimentos no tempo e introduzindo algumas novidades ao nível da programação, agrupando-as por temáticas. Março é de memórias...
A base do projecto mantém-se, trata-se de um evento que vive da parceria e em grande parte das manifestações culturais que as próprias associações/movimentos/instituições já consideram no seu calendário.
O programa do novo conceito estende-se até ao mês de Junho e acontece sempre no último sábado de cada mês.
Uma das novidades acontece este fim-de-semana e abre o PALHAÇA TODOS AO PALCO,
uma parceria com o MUSEU S.PEDRO, que hoje é possível visitar das 14h00 e até à hora do CONCERTO, 2OH30, com o CORO DE CÂMARA DA BAIRRADA, na IGREJA VELHA DE VILA NOVA.
FAÇA DA PALHAÇA O PALCO E A PLATEIA DO QUE LHE AGRADA:
PARTILHAR OU ASSISTIR

sábado, 20 de março de 2010

Breve sopro anímico para um site moribundo. Achegas para a história da Palhaça: o toque dos sinos


Durante a Primeira República muitas polémicas foram ateadas por causa do toque dos sinos, mesmo em freguesias mais recônditas e nos lugares mais pacatos. O badalo era o constante pomo de discórdia entre católicos e não católicos.

Em tempos de eriçado anticlericalismo o toque dos sinos era considerado, por muitos, como a mais ruidosa das manifestações do culto externo. Outros, cujas vidas eram ritmadas por esse toque, teimavam em manter a tradição, já que na sabedoria popular a voz dos sinos era a voz de Deus. Havia mesmo quem acreditasse que afugentava os diabos e as trovoadas.

O curioso episódio que a seguir se relata passou-se na Palhaça e não deixou de ser aproveitado na campanha anti-religiosa que grassava um pouco por todo o lado.

No lugar de Vila Nova, quando foi conhecida a notícia da morte do Papa Pio X, o sacristão Joaquim Francisco Caniçais Júnior subiu à torre e começou a tocar os sinos, em sinal de sentimento. Como estava só, tinha de deixar um para tocar o outro. Isso obrigava-o a passar repetidas vezes por um buraco profundo, situado no centro da torre e que permitia o movimento dos pesos do relógio. Lá se foi equilibrando durante algum tempo, fazendo nos sinos uma “barulheira infrene”.

A certa altura, porém, foi colhido pelo bordo de um dos sinos que o atirou para o tal buraco, onde ficou como morto, de cabeça para baixo. Quando dali foi retirado apresentava uma profunda brecha na cabeça. O mais grave é que terá ficado privado das suas capacidades mentais. Ao comentar jocosamente esta notícia, o correspondente do jornal de Anadia Bairrada Livre acrescentava: “E assim teve a recompensa do seu piedoso acto! Ou o papa não era santo ou a ingratidão não é defeito exclusivo dos pobres mortais” (1)

(1) “Um desastre”, Bairrada Livre, n.º 195, 25.09.1914, p. 3. Ver também Nuno Rosmaninho, “O anticlericalismo na província: um ferreiro da Bairrada”, Actas do Colóquio O Anticlericalismo Português: História e Discurso, Aveiro, Universidade de Aveiro, 2002, pp. 307-326. Publicado também em Aqua Nativa, Anadia, n.º 21, Dezembro de 2001, pp. 27-38.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Site moribundo










É pena!

domingo, 7 de março de 2010

E o MOUVA?

BOM DIA,


DADAS AS CONDIÇÕES ATMOSFÉRICAS, SUSPENDEMOS A REALIZAÇÃO DO MOUVA, ESTA MANHÃ.

SE NA HORA DE ALMOÇO [12H30} A CHUVA DER TRÉGUAS, RETOMAMOS COM O MERCADO, ÀS 13H00, COM ANIMAÇÃO E ACTIVIDADES PELA TARDE FORA.

OBRIGADO A TODOS PELA COMPREENSÃO!



ACTIVIDADES 7 MARÇO (TARDE):

Cuidados de Saúde: Rastreios à tensão arterial e glicemia

«Quem Tem Medo do Fernando Pessoa?» (Poesia/Performance sobre vida e obra do autor com Catarina Teixeira)

«Toca O Sino às 12h12» (Conto Infantil com colaboração do Centro Social da Palhaça)

«Deixa-Me Rir» (Sessão de risoterapia com Fernando Baptista) Acções permanentes:

«A Poesia Que Fugiu dos Livros» (Poesia espalhada pelo recinto, distribuída nos sacos e recitada ao megafone)

«ExperimentaCiência» (actividades de curta duração de explicações simples de ciências) Informações 918153609

domingo, 28 de fevereiro de 2010

MOUVA regressa Domingo (7 de Março)

2ª temporada no primeiro domingo de cada mês, de Março a Julho. Primeira edição de 2010 inclui expositores multicolores, ginástica aeróbica, uma oficina de Ciência, sessões de Risoterapia, a «presença» de Fernando Pessoa no mês da Poesia, rastreios de saúde e música de várias geografias.



Lembra-se do MOUVA? O «mercado-convívio» que, durante 6 edições mensais de 2009, assentou arraiais na Praça de São Pedro, na Palhaça, procurando promover, de um modo descontraído, o mercado sustentável, a acção cívica, o lazer e a cultura?

É já no próximo dia 7 de Março (domingo) que esta iniciativa regressa ao centro da Palhaça, pela mão de uma equipa de organização alargada, com novas ideias e uma maior diversidade de actividades para oferecer. Para vários públicos, da criança ao sénior, passando pelo jovem e o adulto, pelos palhacenses e pelos não palhacenses.

Este ano há várias novidades a registar: o evento passa a realizar-se no primeiro domingo de cada mês, de Março a Julho (à excepção de Abril, devido à Páscoa, em que decorre no segundo domingo), entre as 10h e as 17h. Há actividades fixas, garantidas para todas as edições: um momento de ginástica matinal, a hora do conto infantil antes do almoço, e uma oficina de formação informal (sobre diferentes temáticas - da ecologia às artes, passando pela ciência e pela saúde). Assegurado está ainda um novo espaço chamado «Café e Companhia» - uma esplanada, em plena praça, com café, sumos naturais, sandes e petiscos.

Passou pelo MOUVA o ano passado e tem vontade de participar? É fácil. Tem, por casa, no baú, velharias, quinquilharia, livros, malas, peças de colecção, roupa, música e filmes que acha que poderiam ser reutilizados ou mais valorizados por outras pessoas? Tem produtos agrícolas frescos, pão caseiro, hortaliça, sumos naturais e fruta para vender aos visitantes? É artesão e quer divulgar o seu trabalho e escoar as suas peças? Gosta de ser surpreendido, aprecia cultura, bem estar e interacção? Ou gosta simplesmente de conversar, passear ou de ler o jornal ao ar livre? Então, este evento - de participação gratuita - pode muito bem ser para si, na pele de visitante ou de vendedor.
O desafio de criar com o MOUVA um movimento de novas sensações, de troca de ideias, e de experimentação de talentos artísticos e de formação cívica será também permanente. Serão incentivados actos espontâneos dentro do espírito do evento ou a actividades combinadas. Homens-estátua, malabaristas, performers, artesãos urbanos e rústicos, músicos de rua, pintores, criativos das áreas de multimedia e design, e agricultores biológicos, e quejandos, são bem-vindos neste evento.

No mês em que é assinalado o dia da Poesia, convidamos Fernando Pessoa para um café com poesia. Catarina Teixeira, a mendiga que em 2009 recitou poesia na primeira edição do Mercado volta à Praça e traz Fernando Pessoa, vida e e obra. Sentado, como na Brasileira, vai falar da sua vida repleta de heterónimos e palavras. Para quem gosta de mover o corpo, sugere-se uma sessão de 20 minutos de ginástica aeróbica, de fato-de-treino, logo pela manhã.

Faça você mesmo o seu percurso MOUVA. Além do trajecto dos expositores de venda, o MOUVA oferece oficinas do riso ( «Deixa-Me Rir» ) e de ciência ( «ExperimentaCiência» ), bem como poesia libertada dos livros para locais insuspeitos da Praça ( «A Poesia Que Fugiu dos Livros» ), ou espaços para se instalar a conviver, a jogar cartas ou a ler o jornal do dia. E haverá sempre música no ar, trazida por ventos de todos os continentes.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Morreu preso político cubano após 85 dias de greve de fome

O prisioneiro cubano Orlando Zapata Tamayo morreu ontem em La Havana, após 85 dias de greve de fome, confirmaram fontes da dissidência, que acusam o governo de Cuba de permitir a sua morte premeditadamente. “É uma tragédia terrível, a morte de Oralando tinha sido perfeitamente evitável. Pode considerar-se que foi assassinado com consentimento judicial”, declarou Elizardo Sanchéz, presidente da Comissão de Direitos Humanos e Reconciliação Nacional.

A mesma fonte explicou que a saúde de Zapata estava em estado crítico há já alguns dias e denunciou que as autoridades esperaram mais de uma semana para transladá-lo para o hospital da prisão de Camaguey. “Foi assistido mesmo nas últimas…”, concluiu Sanchéz.
Até à data o governo cubano ainda não fez nenhum comentário oficial.

Zapata, de 42 anos, foi detido em 2003 numa operação que levou 75 opositores do regime à prisão, sob a acusação de conspirarem a favor dos EUA. A sentença foi, na altura, considerada muito violenta, mas na altura provou-se que, na realidade, Zapata não pertencia ao alegado “grupo dos 75”. Por isso foi condenado a três anos de pena de prisão por desacato, desordem pública e desobediência. Fontes do movimento de direitos humanos garantem que a sua postura desafiante face aos guardas prisionais resultou numa agravação da pena. Somadas todas as acusações de pequenos delitos, Zapata acabou condenado a cerca de 30 anos de pena de prisão.

in i

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Base de Dados Portugal Contemporâneo - Grande Projecto

A maior base de dados estatísticos sobre Portugal, a PORDATA com acesso universal e gratuito, estará aberta a partir de hoje na Internet, resultado de uma iniciativa da Fundação Francisco Manuel dos Santos, presidida pelo investigador António Barreto.

À semelhança do que se faz lá fora, agora os cidadãos portugueses podem, de forma rigorosa, “formar a sua opinião” e, logo, criar consciência da realidade social portuguesa.

Escreve António Barreto, no seu editorial: "A FFMS tem como objectivo promover o estudo, o conhecimento, a informação e o debate público, procurando assim contribuir para o desenvolvimento da sociedade, o melhoramento das instituições públicas e o reforço dos direitos dos cidadãos."

Extraordinário contributo, extraordinária iniciativa privada.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

MOUVA: Nota para Vendedores (Repetentes e Potenciais)



















O MOUVA está de regresso à Praça de São Pedro no próximo dia 7 de Março.

Depois de lidos os inquéritos que os vendedores preencheram, e de nos apercebermos de um óbvio consenso em torno da mudança da data do evento, optámos por passar a realizar o evento no primeiro domingo de cada mês. Para 2010, estão marcadas cinco edições, de Março a Julho.

Pretendemos que o mercado corra ainda melhor do que no ano passado e desejamos que a comunicação – diálogo, crítica construtiva, sugestões - entre a organização e os colaboradores se estreite e reforce mais, oralmente, nos dias de mercado, ou por via virtual (e-mail e Facebook abaixo). Também a comunicação nos media, noutras localidades e em locais públicos será reforçada. Podem pedir material promocional, como folhetos e posters se pretenderem.

Há mais novidades nesta edição: uma equipa de organização alargada, com novas ideias e uma maior diversidade de actividades para oferecer; os horários (10-17h, embora seja dada flexibilidade neste capítulo), um espaço chamado Café & Companhia (esplanada); actividades fixas em todas as edições (ginástica; hora do conto infantil, oficina de formação informal versando vários temas e cuidados de saúde). A concentração dos «comes & bebes» numa determinada área está a ser equacionada.

Continuamos a apelar à criatividade nos expositores de venda, um factor distintivo do MOUVA, e, aos artesãos que o desejarem, sugerimos que façam artesanato ao vivo, de modo a dar mais vida ao evento.

Aos repetentes: Pedimos que renovem este ano as vossas participações, para controlarmos o número de vendedores de 2010. A quem desejar experimentar pela primeira vez vender no MOUVA, contacto-nos.

A nova imagem do MOUVA aposta nos tons verdes. Que as próximas edições sejam frescas e refrescantes e ecológicas.

A equipa organizadora.



Inscrições até dia 4 de Março

Contactos para esclarecimento de dúvidas, comentários, informação mais detalhada, e solicitação de fichas de inscrição:

Catarina Pereira 918153609 palhacacivica@gmail.com Junta de Freguesia da Palhaça

Acompanhe as novidades em:

http://mouvapalhaca.blogspot.com
http://www.facebook.com/people/Palhaca-Civica/100000554028315
e aqui, neste blog.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

«A Bolsa Ou O Seu Bolso»

Por Daniel Oliveira

«Foi há uma década que o secretário de Estado das Finanças, Ricardo Sá Fernandes, propôs no seu pacote fiscal a tributação das mais-valias bolsistas. O argumento era simples: se a produção paga imposto, se o trabalho paga imposto, se todas as actividades comerciais pagam imposto, se as doações pagam imposto, se a venda de imóveis paga imposto, como raio se justifica que o lucro conseguido pela venda de acções não o pague?

A ameaça veio rápida: Belmiro de Azevedo prometeu debandar para a bolsa holandesa. Ninguém acreditou, mas não foi preciso esperar muito. Uma desculpa mal amanhada – uma frase qualquer sobre o caso Camarate em que Sá Fernandes fora advogado das famílias das vítimas – serviu para mandar borda fora o incómodo secretário de Estado. O pacote fiscal morreu ali e com ele a proposta de acabar com esta excepção difícil de explicar com qualquer argumento moral, económico ou fiscal.

Depois veio o Orçamento Limiano e o pântano e Guterres partiu. Durão Barroso chegou a São Bento e a excepção manteve-se. Um tabu manteve-se intocável, mesmo quando o combate ao défice se dizia desígnio nacional. Sempre que foi ao Parlamento morreu às mãos da maioria.

Voltou o PS. Passaram-se quatro anos. O défice afinal ainda era incomportável. Todos tinham de se sacrificar um pouco. Todos? Não. As mais-valias para acções compradas há mais de um ano continuaram e continuam isentas de qualquer imposto. Nada. Zero. Mesmo sabendo-se que em quase toda a Europa e nos Estados Unidos elas são, como é evidente, tributadas. Que restam poucos países civilizados para onde Belmiro partir. Que só no último ano os 16 principais investidores viram os seus títulos valorizados em 5,3 mil milhões de euros. E que se vendessem o que têm nem um tostão do seu lucro pagaria imposto. E ainda assim nem uma agulha buliu num Estado que teima em financiar-se quase exclusivamente através do esforço dos que trabalham.

Nas últimas eleições o PS voltou a pôr, como ornamento, esta proposta no seu programa eleitoral. Ontem, no programa “Prós e Contras” da RTP, Jorge Lacão confessou, sem se esforçar muito com argumentos aceitáveis, que ainda não é desta. Que é preciso combater o défice, sim. Que todos têm de ajudar, claro. Que por isso não se pode acabar com o Pagamento Especial por Conta, evidentemente. Mas que assustar a bolsa com uma medida que existe em quase toda a Europa é que não pode ser. A bolsa que teve o seu melhor ano dos últimos doze em 2009 é sensível a qualquer contrariedade.

Talvez no dia em que as galinhas tenham dentes o lucro do jogo bolsista se junte ao trabalho, à agricultura, ao comércio, à produção para ajudar às contas públicas. Talvez nessa altura também a banca, que está muitíssimo bem e recomenda-se, pague tanto de IRC como o resto das empresas. Mas isso será na altura em que os nossos governantes peçam realmente sacrifícios a todos. Que palavras como “rigor” e “responsabilidade” queiram realmente dizer alguma coisa.

Até lá, caro leitor, saiba que o seu trabalho, taxado sem apelo nem agravo ao fim de cada mês, tem menos dignidade para o Estado do que a compra e venda acções. A si, não se importa o governo de contrariar. Afinal de contas, dificilmente fará cair um secretário de Estado com a ameaça de abalar para a Holanda».


in O Arrastão

domingo, 24 de janeiro de 2010

Festival da Canção 2010 -

A Evelyne está apurada para a primeira fase do Festival da Canção da RTP com a canção "A Tua Voz". As 24 mais votadas vão às semi-finais. Quem quiser votar pode fazê-lo aqui http://videos.sapo.pt/3o00rPwPChJygzDCM2Mn. As votações são até ao dia 27 de Janeiro. Já falta pouco! Mais uma vez a Palhaça pode estar representada no Festival da Eurovisão, agora a solo. Para isso basta votar.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Autarquias.org

Caro cidadão,

A partir de hoje, tem ao seu dispor a plataforma autarquias.org.
Com o autarquias.org os cidadãos podem alertar os municípios para as mais variadas situações, desde de Lixos na via pública, postes de iluminação que não o funcionam, buracos na via pública, equipamento danificado, problemas nos abastecimentos, ou outros tipos de problemas, que muitas das vezes as Câmaras Municipais não tem conhecimento.

Os cidadãos podem acompanhar as respostas das autarquias aos alertas apresentados por outros cidadãos, como também participarem nesses mesmos alertas adicionando comentários.

O autarquias.org permite também a criação de debates por cidadãos que pretendem discutir assuntos que lhes pareçam pertinentes com outros cidadãos e com o próprio município ou questionar a autarquia sobre um assunto do interesse de todo o município, como também a abertura de petições.
Participe neste projecto.

www.autarquias.org

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

«Pense No Haiti»

Hoje, qualquer molha que tenha levado em cima, qualquer iminente constipação, qualquer discussão, qualquer queixume soa-me ridiculamente egoísta, coisa burguesinha, face ao que se passou no Haiti, face à carregada e dura história do seu Povo e do seu património. No fundo, penso que, às vezes, me/nos queixo/amos demasiado...






Presidente do Haiti fala em 30 a 50 mil mortos (actual.)
Ontem às 21:12

O presidente do Haiti afirmou, esta quarta-feira, que o violento sismo que atingiu o país pode ter feito entre 30 a 50 mil mortos, depois de o primeiro-ministro ter falado em 100 mil mortos. Entretanto, a comunidade internacional mobiliza-se para garantir a ajuda humanitária pedida pelos haitianos.
O balanço de vítimas provocadas pelo sismo de magnitude 7,0 na escala de Richter que atingiu esta terça-feira o Haiti pode ser entre 50 a 30 mil, alertou o presidente do Haiti.

Questionado pela CNN, o presidente do Haiti disse que até agora devem existir 50 ou 30 mil mortos, mas não revelou de onde retirou estas estimativas.

Horas antes, o primeiro-ministro tinha alertado que o sismo pode ter causado mais de 100 mil mortos.

Ainda antes disso, nas primeiras declarações depois do sismo, entrevistado pelo jornal norte-americano Miami Herald, o presidente René Préval contou que a sede da administração fiscal ruiu, bem como escolas e um hospital.

O Parlamento do Haiti foi outro dos edifícios oficiais a ruir, deixando presas no interior várias pessoas, entre elas o responsável pelo Senado do país.

O presidente do Haiti visitou vários bairros da capital e contou que a situação é de catástrofe, com os hospitais - que conseguiram resistir ao abalo - apinhados de pessoas.

Mais uma vez tudo se resume numa frase presidencial: o Haiti precisa de ajuda.

A Cruz Vermelha Internacional, com sede em Genebra, disse estar a preparar-se para dar assistência a perto de três milhões de pessoas.

Entretanto, a Assistência Médica Internacional (AMI) parte esta quinta-feira para o Haiti com uma equipa exploratória de dois elementos, sendo que a acção no terreno será concertada com duas ONG locais.

Barack Obama anunciou uma intervenção «rápida, coordenada e energética» por parte dos Estados Unidos, enquanto a ONU fez saber que mobiliza o envio urgente de uma grande quantidade de ajuda, para além de dez milhões de dólares.

Manifestações de ajuda chegaram entretanto também por parte do Fundo Monetário Internacional (FMI), Rússia, Cuba e da União Europeia, que vai enviar três milhões de euros.


in TSF

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Lagos Sazonais





«Aproveito para enviar fotos da zona da Vala do Fontão e o "lago" que surgiu esta manhã junto ao limite do nosso Concelho com o de Vagos. Podem publicar, se assim entenderem» (Fernando Silva)

sábado, 2 de janeiro de 2010

Reis Magos'10



PROGRAMA


Teatro vivo em diferentes espaços da freguesia

13h00 - Concentração, 1º Quadro Concentração dos três Reis Magos rotunda do Areeiro
14h00 - Palácio do Rei Herodes e encontro dos Reis Magos com Herodes praça de S. Pedro
15h00 – Presépio vivo e adoração dos Reis magos ao Menino Jesus largo das escolas
15h30 – Leilão das ofertas largo das escolas



Organização: ADREP e Fábrica da Igreja Paroquial S. Pedro da Palhaça

Bom Ano

Regressamos em 2010 com nova imagem. Esperamos que nos continue a acompanhar desse lado, quem sabe não é este ano que partilha connosco as suas opiniões, reflexões, sugestões e histórias.

Ano novo Vida Nova

A day like today from Leonardo Dalessandri on Vimeo.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Desafio: Marcos da década 00

A década 00 está a chegar ao fim, e as sensibilidades que por aqui passam terão as suas respectivas memórias, ilusões e desilusões para partilhar.

Até ao final do ano, contamos receber dos leitores da Palhaça Cívica listas de acontecimentos, ilusões, conceitos, inventos, eventos e/ou personalidades que marcaram, para o bem e para o mal, a década - um abecedário ou 10 items - e um pequeno comentário anexo, se quiserem justificar as vossas escolhas.

Uma fotografia marcante, escolhida por vós, encabecerá cada uma das listas, anónima ou assinada.

Mente à obra?

Respostas p/: palhacacivica@gmail.com


PS: As listas serão publicadas consoante a ordem de chegada.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Cultura e Solidariedade: Iniciativa a «adaptar» na Palhaça?

Não necessariamente no Natal...




Pão de todos | Para todos

Entre 11 e 17 de Dezembro, das 14h00 às 22h00, a Praça do Martim Moniz volta a ser palco do “Pão de Todos. Para Todos 2009”, iniciativa organizada pela Associação CAIS.

Durante sete dias, uma equipa que une as melhores empresas do sector da panificação e cerca de 300 voluntários irá garantir a produção diária de 10 mil pães. Da ementa consta Pão da Avó, Pão de Centeio Escuro, Pão de Milho com Chocolate, Pão de Milho com Torresmos, Pão de Milho com Sultanas e Nozes, Pão com Chouriço e a acompanhar chocolate quente, que serão oferecidos a todos os que visitem o espaço nesta época de Natal.

Este projecto solidário é uma manifestação sociocultural e artística que celebra o pão, bem como os seus valores intrínsecos - a gratuidade, a partilha, a fraternidade e a união - diz a organização.

Com o tema “Cuidarei de Ti!”, a sexta edição desta iniciativa «deseja afirmar a forma de estar da CAIS no terreno». “Pão de Todos. Para Todos” é um hino à gratuidade da vida como dom recíproco», afirma Henrique Pinto, director daquela associação.


Programa cultural e social

Mafalda Arnauth, Toy, Nuno Costa Jazz Trio, Oioai, DJ Glue & Bob The Rage Sense, Arsha e Farra Fanfarra são alguns dos nomes que fazem parte do cartaz cultural.

A grande novidade deste ano é a aposta em artistas mais jovens e abrangentes, famosos e menos conhecidos. Do Jazz à música Disco, com Fado e Hip Hop à mistura, estão agendados cerca de 40 espectáculos em sete dias.

O programa inclui também «workshops», animação do Chapitô, danças variadas e teatro, entre outras propostas.

A 17 de Dezembro, último dia da iniciativa, realizar-se-á uma Marcha Pela Erradicação da Pobreza e Exclusão Social, com o objectivo de anunciar e inaugurar o Ano Europeu de Combate à Pobreza e Exclusão Social (2010). A organização do “Pão de Todos. Para Todos” vai aderir a esta manifestação pública, que começará às 19h30, no Largo de Camões.